Se você já viajou para o exterior ou acompanha amigos que moram em outros países, deve ter ouvido aquele comentário clássico: “Nossa, isso aqui é tão barato comparado ao Brasil!” Apesar da nossa fama de país caro para muitas coisas, existem sim produtos e serviços que surpreendentemente custam menos em outras partes do mundo.
Este post não é sobre o que é mais caro lá fora (todos sabemos sobre imóveis em Nova York ou passagens de metrô em Londres), mas sobre aqueles itens que fazem o viajante brasileiro pensar: “Preciso trazer isso na mala!“. Vamos às 10 categorias onde o exterior frequentemente vence na relação custo-benefício.

1. Tecnologia e Eletrônicos
Este é o clássico absoluto. Um iPhone, um MacBook, uma câmera DSLR ou um console de videogame podem custar o dobro ou mais no Brasil.
- Por quê? Impostos de importação (II, IPI, PIS/COFINS), margem de distribuição e a alta taxa de câmbio.
- Onde é mais barato: Estados Unidos (especialmente em estados sem sales tax como Oregon), Hong Kong, Emirados Árabes e até mesmo em países vizinhos como Paraguai e Chile (para produtos de menor porte).
- Dica de viagem: Muitos viajantes fazem a “ponte aérea” para comprar eletrônicos. Lembre-se de declarar na volta e fique atento às regras da Receita Federal.
2. Streaming e Conteúdo Digital
Assinaturas de Netflix, Spotify, YouTube Premium, Adobe Creative Cloud e jogos na Steam costumam ter preços regionais.
- Por quê? As empresas ajustam os preços de acordo com o poder de compra médio de cada país. O Brasil, infelizmente, vem subindo na lista de preços.
- Onde é mais barato: Países com menor poder de compra, como Turquia, Argentina (antes da recente dollarização), Índia e Indonésia. Um exemplo: a assinatura familiar do Spotify Premium na Turquia já custou menos de 1/3 do preço brasileiro.
- Atenção: Usar VPN para assinar em outro país pode violar os termos de serviço.
3. Livros (Especialmente em Inglês)
Um best-seller internacional em capa dura ou um livro técnico acadêmico pode ter um preço proibitivo nas livrarias brasileiras.
- Por quê? Custos de tradução, direitos autorais, impressão local e impostos sobre o papel.
- Onde é mais barato: Países de língua inglesa, como Estados Unidos e Reino Unido. Em Londres, é possível comprar livros usados em ótimo estado por poucas libras em sebos como os da rua Charing Cross. A Amazon americana também oferece preços muito competitivos.
4. Transporte Público (em países desenvolvidos)
Parece contraditório, mas em muitas cidades da Europa, Ásia e até da América do Norte, a relação custo/qualidade/eficiência do transporte público é melhor que a de grandes capitais brasileiras.
- Por quê? Subsídios governamentais massivos, planejamento urbano de longo prazo e volume de usuários que dilui os custos. Em São Paulo, uma passagem de metrô custa R$ 5,00. Em Berlim, um passe diário para toda a rede (metrô, trem, ônibus, bonde) custa €9,50 (~R$ 52), mas a rede é imensamente mais abrangente, pontual e integrada.
- Onde é mais barato/eficiente: Cidades como Berlim, Viena, Taipei, Cingapura e até Buenos Aires oferecem sistemas de altíssima qualidade por um custo-benefício interessante.
5. Fast-Food e Cadeias Internacionais
Um combo no McDonald’s, um café na Starbucks ou uma pizza na Domino’s são frequentemente mais caros no Brasil do que em seus países de origem.
- Por quê? Custos de ingredientes (muitos importados), altos custos operacionais (aluguel, segurança) e uma estratégia de posicionamento de marca que visa uma classe média-alta.
- Onde é mais barato: Estados Unidos, mas também em países como Malásia, Tailândia e México. Um Big Mac nos EUA custa em média US$ 5, enquanto no Brasil pode passar de R$ 30 (cerca de US$ 6 na cotação atual).
6. Marcas de Vestuário Fast-Fashion (Zara, H&M, etc.)
As mesmas pechas que você vê no shopping brasileiro podem estar com etiquetas 30% a 50% mais baratas na Europa.
- Por quê? Impostos de importação (mesmo sendo a Zara espanhola, a produção muitas vezes é na Ásia e importada), margens de lucro maiores no mercado brasileiro e custos logísticos.
- Onde é mais barato: Em seus países de origem ou na Europa em geral. Uma blusa da Zara em Lisboa ou Madrid terá um preço mais próximo do custo real.
7. Passagens Aéreas Internacionais (Rotas Específicas)
Voar de um país estrangeiro para outro pode ser absurdamente mais barato do que voar do Brasil para o exterior.
- Por quê? Maior concorrência, hubs aeroportuários eficientes, tarifas mais competitivas e isenção de taxas brasileiras altas.
- Onde é mais barato: Voar dentro da Europa (com Ryanair, EasyJet), dentro do Sudeste Asiático (AirAsia) ou entre os EUA e Europa. Um voo Berlim-Milão pode custar €30, enquanto um trecho similar no Brasil (ex: São Paulo-Rio) raramente sai por menos de R$ 300.
8. Entrada para Museus e Atrações Turísticas
A cultura, em muitos países, é entendida como um direito, não um luxo. A contribuição sugerida ou o preço cheio de um museu de classe mundial pode ser ínfimo.
- Por quê? Forte subsídio estatal à cultura. Em Londres, os principais museus nacionais (British Museum, National Gallery) têm entrada gratuita. Em Nova York, o Metropolitan Museum of Art tem uma política de “pay-what-you-wish” para residentes.
- Onde é mais barato/gratuito: Reino Unido, Washington D.C. (Smithsonian), e muitos museus municipais em cidades europeias.
9. Vinho de Mesa e Cerveja Artesanal (em países produtores)
Um bom vinho chileno, argentino ou português é muito mais acessível em seu país de origem. O mesmo vale para cervejas artesanais belgas, alemãs ou tchecas.
- Por quê? Corte na cadeia de importação, impostos de importação e margem do distribuidor/varejista no Brasil.
- Onde é mais barato: Compre vinho no Chile, na Argentina ou em Portugal. Compre cerveja na Bélgica, Alemanha ou República Tcheca. A diferença é abismal.
10. Cosméticos e Perfumes Importados
Marcas francesas, americanas ou coreanas de cosméticos chegam ao Brasil com um ágio considerável.
- Por quê? A famosa “tripla tributação” (impostos de importação, estaduais e municipais), além da margem de lucro.
- Onde é mais barato: Em seus países de origem (ex: perfumes franceses na França, produtos coreanos na Coreia) ou em duty-free shops de aeroportos internacionais concorridos (como Dubai ou Istambul).
Observação Crucial: Contexto é Tudo!
A palavra-chave aqui é “mais barato em relação ao Brasil”. Não significa que seja barato em termos absolutos no país estrangeiro. Um iPhone pode ser “barato” nos EUA comparado ao preço no Brasil, mas ainda é uma compra significativa para um americano médio. Sempre considere o salário médio local e o custo de vida geral.
O Outro Lado da Moeda: O Que é (Geralmente) Mais Barato no Brasil?
Para ser justo, temos nossas vantagens! Alimentos frescos (frutas tropicais, verduras), mão de obra especializada (serviços de beleza, consertos), energia elétrica (em alguns países da Europa é extremamente cara) e o café de todo dia podem ser bem mais acessíveis por aqui.
A próxima vez que você viajar, fique atento a essas categorias. Talvez valha a pena adiar a compra daquele tênis novo ou do novo fone de ouvido e fazer uma boa pechincha no exterior. A economia pode pagar por uma noite extra de hospedagem!





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